Quais são as complicações derivadas da diabetes?

A diabetes atualmente é considerada como uma pandemia não contagiosa. Segundo a Associação internacional de Diabetes, em 2015, no mundo havia 415 milhões de pessoas com diabetes e se prognostica que em 2040, este número aumentará a 624 milhões.

Cada sete segundos, no mundo se registra uma morte por diabetes. Os dados mostram que a diabetes é uma doença crônica muito perigosa e a causa deste perigo é que as pessoas com diabetes podem ter muitas complicações graves. Além disso, as complicações agudas, como a hiperglicemia ou a hipoglicemia, a diabetes mellitus também causa complicações crônicas graves em diferentes órgãos, como olhos, rins, nervos, coração, cérebro e vasos sanguíneos nas extremidades. Em particular, as complicações no sistema cardiovascular são as mais graves e são causa principal de morte dos diabéticos, com o 70% dos pacientes diabéticos que morrem de complicações cardiovasculares.

Que doenças causam complicações cardiovasculares?

As complicações cardiovasculares são complicações que se produzem sobre a base de ateroscleroses das artérias grandes e médias. As complicações cardiovasculares incluem três patologias principais:

  • Doença da artéria coronária;
  • Doença cerebrovascular;
  • Doença arterial periférica;

Caso se produzam  complicações nas artérias coronárias (os vasos sanguíneos que nutrem o coração), o paciente desenvolverá cardiopatia isquêmica, enfarte de miocárdio ou insuficiência cardíaca. Se produzirem nos vasos sanguíneos cerebrais, o paciente desenvolverá sintomas como um ataque isquêmico transitório, enfarte cerebral ou hemorragia cerebral (denominados usualmente como acidente cerebrovasculares). No sistema no sangue periférico, que normalmente são os vasos sanguíneos nas pernas, as complicações mais frequentes são ateroscleroses, estenose arterial e oclusão arterial na perna.

Por que a diabetes pode causar complicações cardiovasculares?

A diabetes faz com que a progressão da ateroscleroses seja mais rápida e progressiva. Portanto, as pessoas com diabetes têm um maior risco de ter doenças cardiovasculares, do  que as pessoas sem diabetes. Especificamente, as pessoas com diabetes têm risco de sofrer uma doença cardíaca coronária e um acidente cerebrovascular de 2 a 4 vezes mais do que as pessoas sem diabetes. Além disso, em comparação com os sujeitos não diabéticos, as pessoas com diabetes têm risco de ter doença arterial periférica duas vezes mais e maior risco de uma rápida progressão, que vai ter como consequência a extirpação cirúrgica de extremidades sobre o tornozelo 5-10 vezes maior.

Que sujeitos são propensos às complicações cardiovasculares?

A diabetes é um fator de risco independente para a doença cardiovascular. Além disso, os seguintes sujeitos são mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares:

  • Homens maiores de 55 anos, mulheres maiores de 65 anos; o risco aumenta em paralelo com a idade.
  • Sexo: os homens têm maior risco de doenças cardiovasculares que as mulheres, entretanto, depois da menopausa, a taxa de doenças nas mulheres aumenta a um nível igual ou ainda mais alto que nos homens.
  • Pessoas sedentárias
  • Fumantes ou que consumem bebidas alcoólicas em excesso
  • Obesos, especialmente obesos abdominais
  • Pessoas com hipertensão
  • Pessoas com dislipidemia
  • Pessoas com antecedentes familiares com doenças cardiovasculares precoces (mulheres menores de 65 anos e homens menores de 55 anos)

O que fazer para detectar complicações cardiovasculares de maneira precoce?

Para uma detecção precoce de complicações cardiovasculares, os pacientes devem ir ao médico regularmente para examinar-se e realizar os testes de detecção necessários. Além disso, os pacientes também devem ser conscientes dos sintomas, especialmente os sintomas iniciais da doença, para detectar e procurar um tratamento precoce e oportuno evitando as consequências graves que incluem a morte.

Para a doença da artéria coronária, o sintoma típico é a dor de peito.

Os pacientes terão forte dor de peito na área atrás do esterno, sentirão como forte aperto no coração, com uma dor que se estende até o queixo, o ombro esquerdo e a cara interna do braço esquerdo.

Ao princípio, a dor usualmente aparece quando se trabalha forte, mas mais tarde quando se realiza um trabalho leve normal e mais severo inclusive quando se está descansando. A dor geralmente dura entre uns segundos e uns minutos; se a dor dura mais de 15 a 20 minutos, é hora de pensar em um possível enfarte de miocárdio.

Entretanto, nos pacientes diabéticos, os sintomas das doenças cardiovasculares às vezes são muito poucos e atípicos, difíceis de detectar e, portanto são fáceis de passarem despercebidos.

Para a doença vascular cerebral, os ataques isquêmicos transitórios são manifestações precoce da doença  cerebrovascular.

Os sinais de um ataque isquêmico transitório são diversos e incluem enjoos, perda do equilíbrio, visão imprecisa, visão dupla, dificuldade para tragar, dificuldade para falar ou debilidade de um lado do corpo. Se não se detectar e trata oportunamente, os pacientes podem ter acidentes cerebrovasculares com sinais súbitos como hemiplegia e inclusive transtorno perceptivo de diferentes graus.

Para a doença arterial periférica, a manifestação mais precoce é a falta de sensibilidade intermitente, dor na perna e câimbras depois de caminhar uma distância, que desaparecem quando se para ou descansa e voltam a aparecer quando se repete outro esforço que seja similar. À medida que a doença for se desenvolvendo, a falta de sensibilidade intermitente aparecerá ao caminhar distâncias mais curtas. Finalmente, quando os vasos sanguíneos se bloqueiam por completo, pode ocorrer necrose dos dedos dos pés.

Entretanto, nos diabéticos, os sintomas das complicações cardiovasculares são às vezes ambíguos e não mostram sinais evidentes. Portanto, as visitas médicas regulares para uma detecção precoce e um tratamento oportuno destas complicações são muito importantes.

O que fazer para prevenir as complicações cardiovasculares?

Para prevenir as complicações cardiovasculares, os pacientes necessitam uma detecção precoce e um tratamento dos fatores de risco das doenças cardiovasculares que incluem:

  • Controlar bem a glicose no sangue, a pressão arterial, as gorduras no sangue.
  • Perda de peso, prevenção da obesidade, especialmente obesidade abdominal.
  • Limitação com bebidas alcoólicas, deixar de fumar.
  • Implementar a atividade física, preferivelmente ao menos 30 minutos ao dia e 5 dias por semana como mínimo. A forma mais singela de fazer exercício é caminhar.

Além disso, os pacientes devem estar conscientes dos sintomas iniciais das complicações cardiovasculares e procurar atenção médica imediata quando aparecer qualquer sintoma suspeito associado com as complicações cardiovasculares.

Finalmente, os exames de rotina jogam um papel muito importante na prevenção, detecção e tratamento precoce das complicações cardiovasculares.

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2019-02-06T17:52:41+00:00janeiro 29th, 2019|0 Comments

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